Simondon na Amazônia

Simondon foi recentemente mencionado pelo ativista e pesquisador Jader Gama em entrevista a Gianmarco Cristofari, publicada como “A Soberania Digital indígena na Amazônia” no site Outras Palavras (28/04/2026). Para Cristofari, pareceu “particularmente instigante […] como pensadores contracoloniais e indígenas como Nego Bispo […] se encontram com a filosofia continental da tecnologia”. No caso, ele se refere à “filosofia de Gilbert Simondon sobre individuação e objetos técnicos”. Nas palavras do próprio Gama:

“Hoje, as big techs determinam todas as relações, inclusive as relações dos movimentos sociais. Os movimentos sociais perderam sua capacidade, sua autonomia técnica de se organizar, comunicar e mobilizar, porque hoje eles têm que se adaptar aos padrões do Instagram, do Facebook, do Twitter. […] Isso depende também do fato de que, quando chegaram as redes sociais, que se tornaram famosas em 2010, havia toda a narrativa da emancipação — como por exemplo a Primavera Árabe, contra os poderes — e da descentralização, que se tornou completamente falsa. […] Um cavalo de Troia, né? O Nego Bispo sempre se colocou nessa posição. É uma posição muito ligada a outros pensadores, como Paulo Freire, o como o Álvaro Vieira Pinto, que é um filósofo da tecnologia brasileiro. Ele, junto com Paulo Freire, criou o termo “consciência ingênua”. Eu articulo isso com a guerra de denominações, o movimento contracolonial do Nego Bispo e o pensamento de Gilbert Simondon, em que uma das categorias que eu mais uso é a da alienação técnica. […] Quando você junta alienação técnica com consciência ingênua, é exatamente isso que acontece: o movimento social, a partir dessa alienação técnica, constrói uma consciência ingênua e não percebe que entrega toda a estratégia, toda a forma de articulação política e de formação das suas bases para essas corporações.”

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