Simondon no Centro de Estudos Avançados do Direito e Inovação da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP

No texto “Hermenêutica erótica da inteligência artificial” (Jornal da USP, 26/11/2025), a pesquisadora em direito Paola Cantarini (coordenadora acadêmica do Centro de Estudos Avançados do Direito e Inovação da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP) evoca “a teoria da individiuação de Simondon” – ao lado da “semiótica peirciana”, da “filosofia da técnica de Stiegler” e da “ecologia da mente de Bateson” – para argumentar que “as tecnologias de IA contemporâneas deslocam o prazer diferido da descoberta para gratificações instantâneas, afetando, assim, a autonomia cognitiva e a agência além de produzirem contextos homogêneos que anulam a diferença e tudo o que não é calculável.” Num texto anterior – “Cabaré macunaíma ‘reloaded’” (Jornal da USP, 06/11/2025) –, a mesma autora já havia evocado a “recusa” de Simondon da “oposição simplista entre humano e máquina”, afirmando que, para ele, “o objeto técnico tem sua própria individuação, e cabe à cultura integrá-lo a um processo mais amplo de sentido”, sendo que a “alienação ocorre quando a técnica é usada sem mediação simbólica”. “Na escola”, ela explica, “isso significa que o problema não é o celular, o tablet ou o projetor em si, mas a maneira como são inseridos: como próteses de consumo ou como instrumentos de criação”, concluindo que o “professor pode então ser o mediador simbólico que reinsere o objeto técnico em um circuito de vida, linguagem e corpo”.

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