Simondon entre figura e fundo
O filósofo, curador e crítico de arte Fabrício Reiner evocou Simondon para falar da preparação da exposição FIGURAE: pluralis nominis figura, com obras de Arthur Arnold, Bruno Neves, Emika Takaki, Evandro Angerami, Isabela Vatavuk, Uéslei Fagundes e Vanessa Midori (em cartaz, de 3 a 31 de outubro de 2026, na Galeria Contempo). Segundo Reiner, Simondon”ajudou a alterar o problema inicial”: “Se o indivíduo não é uma substância pronta, mas uma fase provisória do processo de individuação, a figura pictórica pode ser compreendida não como uma entidade colocada sobre um fundo, mas como a resolução temporária de tensões que atravessam toda a obra”. “[A] figura”, ele continua, “não precede a superfície”, antes “[i]ndividua-se nela e com ela, por meio de contrastes, ritmos, densidades, interrupções, repetições e diferenças de escala”, ao passo que “[o] campo também não permanece intacto depois que uma forma emerge”, pois “[é] reorganizado por aquilo que passa a se distinguir dele”. Essa perspectiva, segundo Reiner, “oferece uma saída para a concepção tradicional segundo a qual a figura ocuparia um espaço previamente constituído”, pois “[a] emergência de uma forma modifica o próprio campo do qual ela procede”: “Figura e fundo não são entidades independentes que se encontram posteriormente. Constituem-se de maneira recíproca”.